quinta-feira, 24 de março de 2011

A mulher que sorria com os olhos!


– Como você faz isso?

– O que?

– Você sorri com os olhos.

– Oi?

– É. Você sorri com os olhos. Ninguém mais faz isso. Só você.

– De onde você tirou isso?

– Não tirei de lugar nenhum. É verdade, você sorri com os olhos.

– O que é sorrir com os olhos?

– Não sei explicar como você faz, mas você faz. Você aperta os olhinhos quando sorri.

– Todo mundo faz isso, acho.

– Mas não do jeito que você faz. As pessoas apertam os olhos porque a boca se mexe. Você não. É por que seus olhos sorriem junto com a boca. São sorrisos diferentes.

– Você está exagerando.

– Não estou. Eu já li isso em alguns livros... “Fulana sorria com os olhos”. Sempre achei que fosse figura de linguagem. Até conhecer você. Até conhecer seu sorriso.

– É apenas um sorriso.

– Talvez. Mas o dos lábios. O dos olhos, apenas você tem. Você é a única mulher fora da literatura que sorri com os olhos.

– Estou ficando sem graça.

– Duvido.

– É verdade. Seus olhinhos estão apertando.

De tão encantado com os olhos sorrindo, não viu que ela, ansiosa, mordia os lábios de leve. Na verdade, não precisou ver. Renderam-se.

E, horas depois, quando ela, exausta, pegou no sono, ele ainda ficou acordado na cama, estudando atentamente os olhos dela.

Não conseguiria dormir. Com a ponta dos dedos, desenhou cada letra do nome dela no ar, como se conseguisse entender melhor a beleza dela desta forma.

Subitamente, levantou-se, ligou o computador e escreveu sobre ela, madrugada adentro.

Descreveu o cheiro da pele dela, a curva dos seus seios, o sabor do seu beijo doce e furioso, a força das mãos dela pressionando suas costas, a temperatura de seus gritos roucos.

Mas não escreveu uma linha sobre o fato de ela sorrir com os olhos.

Isso, ele sabia desde o primeiro momento, guardaria somente para ele.



                                                                                               (champ-chronicles)

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